Thursday, November 25, 2004

2 fieis leitores

Pela teimosia em me lerem diariamente, faço aqui uma vénia a estes dois blogs.
HAMMER
e
JUMENTO

Wednesday, November 24, 2004

O Apocalipse de Soares


Agora, Soares pensa ter descoberto em Santana e Portas os sintomas de um novo cataclismo. Novo erro. Este Governo, arrogante na exacta proporção do seu vazio, é só fraquinho. Não promete nada, não augura nada.
Na sexta-feira, durante uma conferência no Porto, Mário Soares lamentou a escassa qualidade dos nossos políticos actuais, se comparados com os prodígios que fizeram e saíram do 25 de Abril. É fatal: ouvimos estas coisas e deixamos logo saltar uma lágrima de saudade pelos desavindos da política, como Vasco Gonçalves e Vasco Lourenço, ou pelos que estão em risco de o ser, como Narciso Miranda, com quem parece que Soares almoçou nesse mesmo dia.Infelizmente, os queixumes dos pensionistas no jardim não chegam longe. Assim, dado que o lugar-comum mais repetido dos últimos dez ou quinze anos não chamaria suficientemente a atenção, Soares envergou a túnica de profeta, agitou o sino e avisou das intempéries que aí vêm. A UE protege-nos de um golpe militar. Porém, de umas terríveis “revoltas descontroladas” ninguém nos livra, a menos que se devolva “a voz aos cidadãos” (de que forma, ele não explicou, mas a troca do Governo pelo “Fórum” da TSF decerto atenuaria o drama).Os grandes homens revelam-se nos momentos difíceis. Embora o caso esteja aberto a discussão, Soares sempre se achou um homem imenso e, na verdade, dava-se melhor nas horas de crise e ruptura. Ou de confusão, para os cínicos. A tibieza do “marcelismo” foi-lhe muito mais favorável que as décadas de Salazar. No PREC, a sua coroa de glória, Soares combateu uma ameaça real, cujo nascimento ele abençoara impávido. E no “cavaquismo”, já sem particular fulgor ou crédito, inventou a partir do zero e para consolo dos tontos o “direito à indignação”. Fica o método: trata-se de definir o inimigo e de crescer à sua custa. A eficácia depende do inimigo. Na espécie de reforma a que o obrigaram, Soares ainda apontou a mira para Guterres, esse monumento à compaixão. Depois, tentou o ataque aos EUA e à sua alcunha, a “administração Bush”. Perdido entre toneladas de opiniões iguaizinhas, o esforço aproximava-se do patético.Agora, Soares pensa ter descoberto em Santana e Portas os sintomas de um novo cataclismo. Novo erro. Este Governo, arrogante na exacta proporção do seu vazio, é só fraquinho. Não promete nada, não augura nada. Bem espremido, é filho dilecto da normalidade democrática, vulgar no Ocidente de hoje e pela qual muitos julgávamos que o dr. Soares lutara. Se calhar, enganámo-nos: para o dr. Soares, o importante talvez seja a própria luta, e não o respectivo móbil. Se calhar, o dr. Soares enganou-se, e o fim do mundo será posterior ao fim político dele. Apenas a sabedoria poupa os velhos ao rancor.

Sunday, November 21, 2004

Referendo?!?qual referendo???

?
Inscreveram-se na constituição as regiões administrativas. Ficaram por regulamentar na lei as formas e conteúdos dos órgãos a eleger democraticamente.Fruto de "pressões", os mesmos que aprovaram a alteração constitucional aprovaram um referendo. Menos de metade dos portugueses votaram no referendo. O valor vinculativo do dito, à luz da lei, foi nulo. Politicamente ainda ontem ouvi um ministro arrolar como argumento o facto dos portugueses terem rejeitado a regionalização. Porquê? Porque mais de metade dos votos validamente expressos se opunham à regionalização.Os que se opuseram ao referendo e se recusaram a votar não contam, mesmo que a lei, especificamente no caso dos referendos e por se tratarem de referendos, preveja que é indispensável que votem mais de metade dos eleitores.
Há poucos dias terminou uma revisão constitucional, ontem os mesmos partidos que a determinaram escolherem uma pergunta para um referendo. Uma pergunta que visa avalizar o tratado da convenção europeia – dizem – mas que não pode ser tão simples como “Concorda com o tratado da
convenção europeia?” porque é inconstitucional referendar tratados, apenas é possível dirigir as perguntas a particularidades.Para o ano querem que votemos sim, que façamos mais uma reserva mental – pelo menos aos que defendem o antigo ideal europeu. Vamos fazer de conta que votamos uma convenção que faz de conta que não é uma constituição para fazer de conta que democraticamente ficámos vinculados às centenas de páginas do texto, ao passado e ao futuro da União Europeia. Hão-de-nos fazer querer que a pergunta é simples, que diremos apenas sim ou não à Europa. Pois eu desde já digo que não a esta Europa, digo que não a este Portugal político e digo que não a este referendo talvez não votando.E quem me acusar de não ser europeísta fica convidado a apanhar com o troco, na proporção da minha indignação e do atentando ao meu bom nome que tal acusação constituirá – tudo no estrito cumprimento da lei.

Sunday, October 24, 2004

Ferro Rodrigues ainda lhe deve estar grato!

Agora Souto Moura vem dizer em entrevista ao Expresso que, tendo sido nomeado por um Governo socialista, ele «seria o último a querer prejudicar o PS» no caso "Casa Pia". O PGR não se dá conta de que com esta pequena manobra de diversão ele só pretende esconder que foi justamente por dever a nomeação ao PS que ele o deixou massacrar e ao seu secretário-geral durante meses, sem fazer nada, só para exibir uma zelosa independência e não poder ser acusado de estar a fazer um "jeito" a quem devia o cargo. Há complexos assim...

O criminoso mais perigoso de Portugal foi solto por mais um crasso erro judicial!

"Lobo" está livre desde quinta feira.O maior criminoso da história recente, condenado a um cúmulo jurídico de 35 anos, tinha já fugido da prisa e agora, mesmo depois de recapturado, devido a sucessivos erros processuais do tribunal de Sesimbra foi solto ante-ontem na sequência de um simples pedido de habeas-corpus do advogado.A Justiça Portuguesa assume foros de verdadeira Entidade Criminosa, ao colocar a sociedade em contacto com o maior criminoso que há em Portugal e continua a dar cartas em todo o mundo pela miserável negligência de que dá gritantes provas no dia a dia.Por mim, cá continuarei a denunciar esta desgraçada magistratura até que me levem, também a mim, preso. Nessa altura tenho a certeza que ficarei mais tempo lá dentro, por delito de opinião, do que um assassino ou um pedófilo.É que enquanto o primeiro juiz não for preso por negligência crassa os outros não aprendem a lição.Alguém tem que vir, urgentemente, incomodar fortemente meia duzia de juízes e procuradores para dar um sinal positivo de que no mais vergonhoso pântano da nação - a Justiça - se começa a descortinar uma luz ao fundo do túnel.Porque, até agora, a justiça portuguesa continua mergulhada nas mais profundas trevas medievais.

Wednesday, October 20, 2004

Justiça "à la carte de maison"

Eu fico absolutamente banzado de cada vez que este grande querido presta declarações à comunicação social. Prender Carlos Cruz não é o mesmo que prender Farfalha. É muito maior responsabilidade, segundo ele.Este agente da Justiça que temos continua sem fazer a mínima ideia das enormidades que diz. Atropela, de cada vez que fala, os mais basilares princípios da Justiça igualitária e da Declaração Universal dos Direitos do Homem, e «tá nem aí»!Interiorizou que a Justiça deve ser feita à medida do freguês. Exactamente o oposto do que preconiza a Constituição de qualquer país civilizado. Temos, uma vez mais, a clara confirmação das piores suspeitas, na Justiça. Os seus mais altos dignatários não conseguem desenvolver qualquer conceito alicerçado em preceitos técnico-científicos. Nem os mais básicos.Ficam no que lhes parece (chama-se «desenvolver a convicção») e dão graças ao Santíssimo por terem sido escolhidos para dirigirem o país até à próxima convulsão social. Que, pelo andar desconjuntado da carruagem, não deve andar longe.

Thursday, October 14, 2004

Os panascas lá ganharam 7-1

Perdemos contra os amadores a ganhamos aos profissionais.O que tardamos a perceber é que, apesar de potugueses com uma identidade muito própria e um nível de subdesenvolvimento muito nosso de que jamais abdicaremos, quando ganhamos 30 mil contos por mês não podemos brincar em serviço; e só temos que os justificar.Infelizmente será sempre assim: é preciso vir um brasileiro dizer que já quando descobrimos o Brasil «há 1500 anos» eramos um povo valente, para colocar na cabeça daqueles geniozinhos da bola que é suposto darem o litro quando jogam contra toda a gente.Bem hajas, Scolari, pela cultura que trazes à selecção tuga.

Wednesday, October 13, 2004

Sem Paio diz que o dinheiro é dele e de mais ninguém!

«O dinheiro é para mim! Já chega de doar prémios para instituições de solidariedade» - afirmou o Presidente às câmaras de televisão, como se alguém lhe tivesse perguntado a que horas era o autocarro para o Montijo.Mas mais: «um Presidente da República deve saber estar calado!».Esta acabou comigo.Ganhaste, Cenoura! Desisto.

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